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quinta-feira, 21 de abril de 2016

COMENTÁRIOS ÀS 16 TESES DO STJ SOBRE UNIÃO ESTÁVEL

           
A seguir faremos alguns comentários sobre a jurisprudência de união estável com base na recente publicação das teses firmadas pelo STJ.
São 16 teses e comentaremos individualmente cada uma.

1) Os princípios legais que regem a sucessão e a partilha não se confundem: a sucessão é disciplinada pela lei em vigor na data do óbito; a partilha deve observar o regime de bens e o ordenamento jurídico vigente ao tempo da aquisição de cada bem a partilhar.

            Comentário: A partilha de bens entre vivos, em decorrência do fim da união estável, é diferente da partilha de bens quando uma pessoa morre. O direito de família tem as normas para a primeira e o direito sucessório tem as normas para a segunda.
            Quando o casal se separa, podendo ser de pessoas de sexos diferentes ou do mesmo sexo, é necessário que se estabeleça quais os bens que pertencem a cada um dos conviventes. Se o casal não tiver qualquer documento por escrito tratando deste tema, a lei determina a aplicação das regras do regime de comunhão parcial de bens. Isso significa que todos os bens adquiridos durante a união estável serão divididos entre os dois companheiros em partes iguais, metade para cada convivente.  Caso algum bem tenha sido comprado com dinheiro recebido anterior à união ou por doação, ou ainda com o dinheiro de venda de bem adquirido antes da união, ficará pertencendo somente a quem pertencia o dinheiro ou recebeu a doação.
            Todo casal pode fazer um documento estabelecendo como será a divisão de patrimônio em caso de dissolução da união estável basta um documento assinado por ambos contendo as regras que desejarem.


Acórdãos

REsp 1118937/DF,Rel. Ministro ANTONIO CARLOS FERREIRA, QUARTA TURMA, Julgado em 24/02/2015,DJE 04/03/2015
REsp 1124859/MG,Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, Rel. p/ Acórdão Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI,SEGUNDA SEÇÃO,Julgado em 26/11/2014,DJE 27/02/2015
Decisões Monocráticas

AREsp 815820/SP,Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA,Julgado em 18/11/2015,Publicado em 04/12/2015
REsp 1095588/MG,Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA,Julgado em 07/10/2015,Publicado em 09/11/2015
REsp 1542297/DF,Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA TURMA,Julgado em 28/10/2015,Publicado em 04/11/2015
Veja também os periódicos (atualizados até a data de publicação):
Informativo de Jurisprudência n. 0556, publicado em 04 de março de 2015.





2) A coabitação não é elemento indispensável à caracterização da união estável.

            Comentário: Este entendimento existe a partir de casos em que pessoas estão vivendo uma relação de união estável, mas escolhem não morar na mesma casa. Existem casamentos que marido e mulher moram em casas separadas e até em cidades diferentes. Portanto, pode ser aplicável às relações de união estável.
            Cabe a análise pelo juiz para verificar se no caso específico as pessoas fizeram esta opção. Claro que o fato de residirem em casas diferentes pode dificultar a prova da união, mas não impede que a mesma seja reconhecida. Basta comprovar que a relação é publica e com objetivo de constituir família.
            O juiz deve fazer uma análise profunda da situação para reconhecer a união quando realmente houver intenção de constituir família, caso contrário as pessoas adultas não terão mais a opção de namorar. Atualmente o namoro envolve um dormir na casa do outro algumas noites. A prova do namoro não é fácil quando há este tipo de convivência, a tendência dos juízes é compreender que a constância da relação, com um frequentando a casa do outro, é forte indicativo de união estável. Porém, há decisão do STJ mencionando o namoro e denominando como “namoro qualificado” quando há uma intensidade maior na relação, mas sem alcançar os requisitos da união estável, uma prova difícil de ser produzida.

Acórdãos

REsp 1304116/PR,Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, Julgado em 25/09/2012,DJE 04/10/2012
REsp 707092/DF,Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, Julgado em 28/06/2005,DJ 01/08/2005
Veja também os periódicos (atualizados até a data de publicação):
Informativo de Jurisprudência n. 0253, publicado em 01 de julho de 2005.




3) A vara de família é a competente para apreciar e julgar pedido de reconhecimento e dissolução de união estável homoafetiva.

            Comentário: A especialização das Varas existe para que cada juiz possa aprofundar seus conhecimentos e conferir maior dedicação a temas específicos. A Vara de Família possui estrutura diferenciada, pois tem psicólogos e assistentes sociais que auxiliam na solução dos processos. O tema família requer sensibilidade do juiz por não ser uma questão meramente contratual. O juiz precisa ouvir, deixar falar, as pessoas falam de sentimentos, mágoas, para depois alcançar o direito.
            A discussão patrimonial envolve emoção, não sendo tão objetiva quanto um contrato de compra e venda. Portanto, discussões familiares são de competência da Vara de Família. A família é múltipla. Reconhecer esta possibilidade é muito importante. Não descaracteriza o vínculo familiar a união de pessoas do mesmo sexo.
            Quando se diz homoafetividade não se pode esquecer que nesta relação há sexo, além do afeto. As pessoas não deveriam mais se chocar com esta realidade. As discussões entre pessoas do mesmo sexo que vivam uma união familiar estável terão os mesmos envolvimentos, a mesma influencia emocional que relações entre pessoas de sexo oposto. Traições, mágoas, desamor, tudo poderá desaguar no Judiciário. A Vara de Família é o local ideal para tais discussões jurídicas. Sem discriminações, mas conferindo proteção e protegendo direitos.


Acórdãos

REsp 1291924/RJ,Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, Julgado em 28/05/2013,DJE 07/06/2013
REsp 964489/RS,Rel. Ministro ANTONIO CARLOS FERREIRA, QUARTA TURMA, Julgado em 12/03/2013,DJE 20/03/2013
REsp 827962/RS,Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, QUARTA TURMA, Julgado em 21/06/2011,DJE 08/08/2011
Saiba mais:
Pesquisa Pronta
Veja também os periódicos (atualizados até a data de publicação):
Informativo de Jurisprudência n. 0524, publicado em 28 de agosto de 2013.




4) Não é possível o reconhecimento de uniões estáveis simultâneas.

            Comentário: O Brasil se diz um país de lei que impõe a monogamia. Onde está a monogamia nas nossas leis? O crime de bigamia é previsto no Código Penal, ou seja, é crime se casar outra vez quando se está casado e há pena prevista de dois a seis anos de reclusão! Incrível ainda existir este tipo penal. Apenas o crime de adultério foi revogado e somente em 2005.
            A monogamia não é norma imposta para situações de fato, senão não teríamos tantas situações reais de vida com múltiplas relações e que podem ser caracterizadas como estáveis.
            A pergunta que se faz é se é crime viver com duas pessoas ao mesmo tempo. Não é incomum um homem viver com duas mulheres, cada uma em sua casa e ele frequentar os dois ambientes assiduamente, sustentar as duas mulheres e os filhos comuns durante anos. Isso não é crime, pode ser considerado por alguns como imoral, mas não por aqueles que vivem a relação. Não cabe ao legislador ou ao Poder Judiciário julgar moralmente as relações, mas proteger de ameaça ou lesão ao direito.
            Não reconhecer que ambas as situações geram deveres é beneficiar aquele que se propõe a conviver com as duas pessoas, mas quer ficar isento de responsabilidades e obrigações, como o dever de sustento.
            Recente acórdão do STJ fixou alimentos de um homem para uma mulher com quem conviveu paralelamente por 40 anos, mas não reconheceu uma união estável paralela. Criou uma figura de responsabilidade alimentar diferente das previstas em lei, por dever de solidariedade. Não reconhecendo a união não caberia o dever de sustento, de mutua assistência, porém esta consequência foi reconhecida sob o fundamento da solidariedade sem o reconhecimento de união paralela.                     
            Observe-se que o Código Civil veda expressamente o reconhecimento de união estável paralela a casamento.
            Situações de fato, como a união estável, deveriam receber menos restrições, como também menos interferências. Ao Judiciário caberia reconhecer o que está ocorrendo de fato, como o faz no caso da posse com relação ao direito de propriedade.

           
Acórdãos

AgRg no AREsp 609856/SP,Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA, Julgado em 28/04/2015,DJE 19/05/2015
AgRg no AREsp 395983/MS,Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA,Julgado em 23/10/2014,DJE 07/11/2014
REsp 1348458/MG,Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, Julgado em 08/05/2014,DJE 25/06/2014
REsp 912926/RS,Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, Julgado em 22/02/2011,DJE 07/06/2011
AgRg no Ag 1130816/MG,Rel. Ministro VASCO DELLA GIUSTINA (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TJ/RS), TERCEIRA TURMA,Julgado em 19/08/2010,DJE 27/08/2010
Veja também os periódicos (atualizados até a data de publicação):
Informativo de Jurisprudência n. 0464, publicado em 25 de fevereiro de 2011.





5) A existência de casamento válido não obsta o reconhecimento da união estável, desde que haja separação de fato ou judicial entre os casados.
           
            Comentário: Atualmente as pessoas não se preocupam em se casar civilmente quanto mais em fazer o processo de divórcio. Muitos casamentos são desfeitos apenas de fato. Um dos cônjuges sai de casa e não providencia os papéis para o divorcio que hoje é muito rápido. O Judiciário supre esta burocracia ao entender que a união estável pode existir não obstante o casamento no civil não ter sido desfeito. É uma questão de respeito às decisões de vida dos indivíduos e proteção aos direitos dos companheiros.
            Ocorre que algumas vezes a mulher casada ingressa pedindo a pensão por morte do marido falecido afirmando que ainda era casada no civil e que ele mantinha a relação de casamento porque frequentava a casa que era comum. A prova a ser produzida pela companheira é de que houve separação de fato, o que não é fácil, pois se o falecido era frequentador da casa da ex-mulher, normalmente para estar com os filhos e continuar a prestar o suporte financeiro apesar da relação ter acabado, o juiz pode entender que o casamento se mantinha. Entretanto, a cautela do juiz ao analisar a prova da união estável indicará a solução, pois não caberá o reconhecimento da união estável paralela com o casamento por expressa vedação legal.
            Esta discussão terá repercussão no direito previdenciário e sucessório. Caso reconhecida a manutenção do casamento, a companheira sobrevivente ficará sem qualquer benefício por morte, por exemplo.

Acórdãos

AgRg nos EDcl no AgRg no AREsp 710780/RS,Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA,Julgado em 27/10/2015,DJE 25/11/2015
AgRg no Ag 1363270/MG,Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA,Julgado em 17/11/2015,DJE 23/11/2015
AgRg no REsp 1418167/CE,Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA,Julgado em 24/03/2015,DJE 17/04/2015
AgRg no AREsp 597471/RS,Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA,Julgado em 09/12/2014,DJE 15/12/2014
AgRg no REsp 1147046/RJ,Rel. Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, Julgado em 08/05/2014,DJE 26/05/2014
AgRg no REsp 1235648/RS,Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA TURMA,Julgado em 04/02/2014,DJE 14/02/2014
AgRg no AREsp 356223/GO,Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA,Julgado em 24/09/2013,DJE 27/09/2013
REsp 1096539/RS,Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, Julgado em 27/03/2012,DJE 25/04/2012
RMS 030414/PB,Rel. Ministra LAURITA VAZ, QUINTA TURMA,Julgado em 17/04/2012,DJE 24/04/2012
Veja também os periódicos (atualizados até a data de publicação):
Informativo de Jurisprudência n. 0494, publicado em 03 de abril de 2012.





6) Na união estável de pessoa maior de setenta anos (art. 1.641, II, do CC/02), impõe-se o regime da separação obrigatória, sendo possível a partilha de bens adquiridos na constância da relação, desde que comprovado o esforço comum.
           
            Comentário: Observa-se neste entendimento uma forte interferência do Estado nas relações pessoais privados. Nunca é demais lembrar que há norma expressa no Código Civil proibindo a interferência na vida privada (Art. 1.513. É defeso a qualquer pessoa, de direito público ou privado, interferir na comunhão de vida instituída pela família.). Entretanto, é o que ocorre com frequência no direito de família.
            As pessoas de 70 anos são tratadas como sem condição de decidir suas próprias vidas e proteger seu patrimônio. Se envolvidas em nova relação com a idade avançada o Estado acredita que deva proteger o patrimônio do idoso para que não fique sem recursos e a futura herança a ser deixada aos filhos seja protegida.
            O mundo mudou, o respeito a autonomia do idoso, um princípio da bioética, deveria ser aplicado. Proteger o idoso, com absoluta prioridade na efetivação de seus direitos, como prevê o Estatuto do Idoso, não significa tolher sua capacidade de decisão. Curioso é que este mesmo idoso de 70 anos poderá decidir questões na vida de outras pessoas, na sua atividade laborativa, mas se verá tolhido a tomar uma decisão pessoal e se casar em outro regime de bens.
            Há entendimentos pelos juízes no sentido de não se considerar esta restrição, porém ainda existe o entendimento de que o Estado deve proteger a qualquer custo o patrimônio e possíveis “golpes do baú”. Caberia perguntar ao idoso se é isso mesmo que lhe interessa. Trabalhou, juntou seu patrimônio e deseja usar o que amealhou para ser feliz de outra forma. Qual a razão de impedir tal decisão? O pensamento de que a herança deve ser protegida é perverso porque impede quem construiu o patrimônio de usar seu dinheiro como bem entender somente por conta da idade avançada.
            A norma constitucional veda qualquer forma de discriminação o que poderia ser considerado por discriminar o idoso na sua capacidade de decisão.
            A exceção quanto aos bens amealhados durante a união e mediante prova do esforço comum repete entendimento que exigia que a mulher fizesse prova de contribuição laborativa, mesma que no lar comum, indicando um entendimento contrário aos avanços nesta área do direito.

Acórdãos

EREsp 1171820/PR,Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, SEGUNDA SEÇÃO, Julgado em 26/08/2015,DJE 21/09/2015
AgRg no AREsp 675912/SC,Rel. Ministro MOURA RIBEIRO, TERCEIRA TURMA,Julgado em 02/06/2015,DJE 11/06/2015
REsp 1403419/MG,Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA TURMA,Julgado em 11/11/2014,DJE 14/11/2014
REsp 1369860/PR,Rel. Ministro SIDNEI BENETI, Rel. p/ Acórdão Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA,TERCEIRA TURMA,Julgado em 19/08/2014,DJE 04/09/2014
REsp 646259/RS,Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, Julgado em 22/06/2010,DJE 24/08/2010
Saiba mais:
Pesquisa Pronta





7) São incomunicáveis os bens particulares adquiridos anteriormente à união estável ou ao casamento sob o regime de comunhão parcial, ainda que a transcrição no registro imobiliário ocorra na constância da relação.
           
            Comentário: O regime de bens da união estável segue o previsto no Código Civil para o casamento. Nada havendo por escrito ente os companheiros, caberá a correspondência ao regime de comunhão parcial de bens. Realizar o registro do imóvel durante a união, porém tendo o bem sido adquirido previamente à união indica que o bem pertence exclusivamente a quem o adquiriu.

Acórdãos

AgRg no AREsp 649786/GO,Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA,Julgado em 04/08/2015,DJE 18/08/2015
AgRg no AREsp 223319/RS,Rel. Ministro SIDNEI BENETI, TERCEIRA TURMA,Julgado em 18/12/2012,DJE 04/02/2013
AgRg no AREsp 059256/SP,Rel. Ministro MASSAMI UYEDA, TERCEIRA TURMA,Julgado em 18/09/2012,DJE 04/10/2012
AgRg nos EDcl no REsp 805265/AL,Rel. Ministro VASCO DELLA GIUSTINA (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TJ/RS), TERCEIRA TURMA,Julgado em 14/09/2010,DJE 21/09/2010
REsp 1096324/RS,Rel. Ministro HONILDO AMARAL DE MELLO CASTRO (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TJ/AP), QUARTA TURMA,Julgado em 02/03/2010,DJE 10/05/2010
REsp 275839/SP,Rel. Ministro ARI PARGENDLER, Rel. p/ Acórdão Ministra NANCY ANDRIGHI,TERCEIRA TURMA,Julgado em 02/10/2008,DJE 23/10/2008
Veja também os periódicos (atualizados até a data de publicação):
Informativo de Jurisprudência n. 0370, publicado em 03 de outubro de 2008.





8) O companheiro sobrevivente tem direito real de habitação sobre o imóvel no qual convivia com o falecido, ainda que silente o art. 1.831 do atual Código Civil.
           
            Comentário: A questão envolve dois direitos com ampla proteção na lei civil. O direito à moradia e o direito à propriedade originário da sucessão. Cabe a discussão quanto ao que deve prevalecer. No momento da morte a propriedade se transmite imediatamente. O herdeiro terá o direito de usar, gozar e dispor do bem herdado que passou a lhe pertencer. De outro lado o companheiro sobrevivente deve ter o direito de continuar a residir no imóvel comum que foi residência do casal enquanto viviam união estável. O confronto entre dois direitos constitucionais somente se resolve com cuidadosa análise de ambos os direitos.
            Este artigo mencionado (Art. 1.831. Ao cônjuge sobrevivente, qualquer que seja o regime de bens, será assegurado, sem prejuízo da participação que lhe caiba na herança, o direito real de habitação relativamente ao imóvel destinado à residência da família, desde que seja o único daquela natureza a inventariar.) estabelece que deve ser o único imóvel a inventariar, restringindo a abrangência. Todavia, continua a privar o herdeiro de exercer os direitos de propriedade, vender o imóvel, tomar posse, enfim exercer plenamente seus direitos.



Acórdãos

REsp 1203144/RS,Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, Julgado em 27/05/2014,DJE 15/08/2014
REsp 1156744/MG,Rel. Ministro MARCO BUZZI, QUARTA TURMA,Julgado em 09/10/2012,DJE 18/10/2012
REsp 1220838/PR,Rel. Ministro SIDNEI BENETI, TERCEIRA TURMA, Julgado em 19/06/2012,DJE 27/06/2012
Veja também os periódicos (atualizados até a data de publicação):
Informativo de Jurisprudência n. 0543, publicado em 13 de agosto de 2014.





9) O direito real de habitação poder ser invocado em demanda possessória pelo companheiro sobrevivente, ainda que não se tenha buscado em ação declaratória própria o reconhecimento de união estável.
           
            Comentário: Este entendimento visa facilitar a vida dos envolvidos, caso contrário deveriam ingressar com ação em Vara de Família. É uma forma de acelerar a solução das demandas para que haja prestação jurisdicional célere. Uma ação de união estável levará cerca de dois anos para ser julgada em primeiro grau, um tempo longo que traz prejuízos de toda ordem para os envolvidos. Permitir que o juiz da Vara Cível reconheça a existência da união estável viabiliza até mesmo a tomada de decisão na tutela antecipada, protegendo e conferindo direitos.

Acórdãos

REsp 1203144/RS,Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, Julgado em 27/05/2014,DJE 15/08/2014
REsp 616027/SC,Rel. Ministro CARLOS ALBERTO MENEZES DIREITO, TERCEIRA TURMA,Julgado em 14/06/2004,DJ 20/09/2004
Saiba mais:
Pesquisa Pronta
Veja também os periódicos (atualizados até a data de publicação):
Informativo de Jurisprudência n. 0543, publicado em 13 de agosto de 2014.





10) Não subsiste o direito real de habitação se houver co-propriedade sobre o imóvel antes da abertura da sucessão ou se, àquele tempo, o falecido era mero usufrutuário do bem.
           
            Comentário: Se há co-propriedade há outras pessoas envolvidas na relação de domínio, porém sem qualquer relação com a união estável. Desta forma, seria um ônus grande aos co-proprietários serem obrigados a permitir que o companheiro sobrevivente permanecesse no imóvel além da morte do seu companheiro. A utilização do bem que se fez por acordo com o falecido não significa que estende o acordo ao companheiro sobrevivente.
            Indaga-se qual seria a diferença em se tratando de co-proprietários herdeiros e quais seriam as razões para tratar-se de forma diferente estas duas categorias, pois a única distinção é a forma de aquisição da propriedade, uma por força de trabalho, na maioria das vezes, e a outra por força de herança. Outra questão a ser discutida é sobre o fato da propriedade de residência ser herança comum do companheiro e seus irmãos, por exemplo, o que guardaria semelhança com a exceção acima, mas teria entendimentos diversos se já existia antes da abertura da sucessão ou se posterior à mesma.

Acórdãos

REsp 1184492/SE,Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, Julgado em 01/04/2014,DJE 07/04/2014
REsp 1212121/RJ,Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, Julgado em 03/12/2013,DJE 18/12/2013
REsp 1273222/SP,Rel. Ministro PAULO DE TARSO SANSEVERINO, TERCEIRA TURMA,Julgado em 18/06/2013,DJE 21/06/2013
REsp 826838/RJ,Rel. Ministro CASTRO FILHO, TERCEIRA TURMA, Julgado em 25/09/2006,DJ 16/10/2006
Veja também os periódicos (atualizados até a data de publicação):
Informativo de Jurisprudência n. 0541, publicado em 11 de junho de 2014.





11) A valorização patrimonial dos imóveis ou das cotas sociais de sociedade limitada, adquiridos antes do início do período de convivência, não se comunica, pois não decorre do esforço comum dos companheiros, mas de mero fator econômico.

            Comentário: Entram no regime da comunhão parcial de bens, os frutos dos bens comuns, ou dos particulares de cada cônjuge, percebidos na constância do casamento, ou pendentes ao tempo de cessar a comunhão (art. 1660, V do CC). A tese firmada toma por base que o companheiro não fez qualquer esforço próprio para um bem se tornar de maior valor por ação do tempo. Um exemplo é de um imóvel comprado antes da união estável com recursos exclusivos do indivíduo e depois que passou a conviver com seu companheiro o imóvel valorizou sobremaneira em razão do mercado imobiliário. A vantagem obtida com a venda seria exclusiva de quem adquiriu o imóvel porque o companheiro em nada contribuiu para a valorização. Caso tenham realizado benfeitorias no imóvel esta deverá ser avaliada para que o valor empregado seja ressarcido proporcionalmente, pois houve investimento por parte do companheiro não adquirente valorizando o bem.
            O mesmo entendimento se aplica a aquisição de cotas sociais de sociedade limitada em razão de sua valorização sem participação de qualquer espécie do companheiro não adquirente.

Acórdãos

REsp 1349788/RS,Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, Julgado em 26/08/2014,DJE 29/08/2014
REsp 1173931/RS,Rel. Ministro PAULO DE TARSO SANSEVERINO, TERCEIRA TURMA,Julgado em 22/10/2013,DJE 28/10/2013
Decisões Monocráticas

Ag 1173931/RS,TERCEIRA TURMA,Julgado em 25/05/2010,Publicado em 31/05/2010
Veja também os periódicos (atualizados até a data de publicação):
Informativo de Jurisprudência n. 0533, publicado em 12 de fevereiro de 2014.





12) A incomunicabilidade do produto dos bens adquiridos anteriormente ao início da união estável (art. 5º, § 1º, da Lei n. 9.278/96) não afeta a comunicabilidade dos frutos, conforme previsão do art. 1.660, V, do Código Civil de 2002.
           
            Comentário: Os frutos, como acima mencionado, são partilháveis, entram na comunhão parcial de bens, pois indicam que o bem ou dinheiro renderam vantagens mediante produção de novos valores. Assim, um aluguel de imóvel pertencente a apenas um dos companheiros, a renda de um investimento bancário entram para o patrimônio comum, não obstante o valor investido ou o imóvel aplicado não sejam partilhados.

Acórdãos

REsp 1349788/RS,Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, Julgado em 26/08/2014,DJE 29/08/2014





13) Comprovada a existência de união homoafetiva, é de se reconhecer o direito do companheiro sobrevivente à meação dos bens adquiridos a título oneroso ao longo do relacionamento.
           
            Comentário: não se faz qualquer diferença na partilha de bens para casais de sexo diferente ou não. A mesma conduta para a comprovação da união estável deve ser exigida. Comprovar a publicidade da relação, a sua continuidade, bem como o objetivo de constituir família é fundamental. Não basta apenas alegar, há que se comprovar o convívio com este propósito e demonstrar a vida em comum. Os bens adquiridos onerosamente durante a relação serão partilhados igualmente por casais constituídos com o propósito de convivência familiar.

Acórdãos

EDcl no REsp 633713/RS,Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA TURMA,Julgado em 11/02/2014,DJE 28/02/2014
REsp 930460/PR,Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, Julgado em 19/05/2011,DJE 03/10/2011
Veja também os periódicos (atualizados até a data de publicação):
Informativo de Jurisprudência n. 0472, publicado em 13 de maio de 2011.





14) Não há possibilidade de se pleitear indenização por serviços domésticos prestados com o fim do casamento ou da união estável, tampouco com o cessar do concubinato, sob pena de se cometer grave discriminação frente ao casamento, que tem primazia constitucional de tratamento.

            Comentário: As situações de prestação de serviços domésticos e constituição de família são muito diferentes. O fato de a lei brasileira prever artigo impedindo o reconhecimento de união estável quando existe casamento sem separação de fato e considerar esta relação como concubinato, dá ensejo a tentativas de modificar o conteúdo da lei para proteger uma das partes envolvidas. O CC determina: Art. 1.727. As relações não eventuais entre o homem e a mulher, impedidos de casar, constituem concubinato. Algumas decisões verificam que existem relações simultâneas ao casamento, com características de união estável, porém ficam impedidos de reconhecer esta simultaneidade e terminam por reconhecer uma sociedade de fato ou mesmo prestação de serviços. Há decisão do STJ em que foi fixada pensão alimentícia sem reconhecer união estável paralela, baseada na solidariedade, pois a relação tinha mais de 40 anos, sempre com o suporte econômico. Na verdade, o julgamento de relações concomitantes é um julgamento moral, pois diversos casais vivem felizes e aceitam esta forma de relação. Decidir sem considerar esta realidade cria irresponsabilidade para um dos envolvidos, em geral o homem, que deixa de ter que pagar pensão ou mesmo partilhar bens.



Acórdãos

AgRg no AREsp 770596/SP,Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA,Julgado em 17/11/2015,DJE 23/11/2015
AgRg no AREsp 249761/RS,Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA,Julgado em 28/05/2013,DJE 03/06/2013
REsp 874443/RS,Rel. Ministro ALDIR PASSARINHO JUNIOR, QUARTA TURMA,Julgado em 24/08/2010,DJE 14/09/2010
EDcl no REsp 872659/MG,Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA,Julgado em 15/12/2009,REPDJE 08/02/2010
Veja também os periódicos (atualizados até a data de publicação):
Informativo de Jurisprudência n. 0404, publicado em 28 de agosto de 2009.





15) Compete à Justiça Federal analisar, incidentalmente e como prejudicial de mérito, o reconhecimento da união estável nas hipóteses em que se pleiteia a concessão de benefício previdenciário.

            Comentário: Este entendimento não está retirando da competência da Vara de Família a análise da união estável, mas visa facilitar a situação de muitas pessoas que requerem na Justiça Federal o benefício por morte de seu companheiro e não ingressaram com ação prévia perante a Justiça Estadual. Esta possibilidade torna célere o recebimento da pensão previdenciária e, por vezes, a prova produzida é suficiente para a decisão do Juiz Federal.

Acórdãos

RMS 035018/MG,Rel. Ministro GURGEL DE FARIA, QUINTA TURMA, Julgado em 04/08/2015,DJE 20/08/2015
Decisões Monocráticas

CC 131529/RS,Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA SEÇÃO, Julgado em 02/09/2015,Publicado em 14/09/2015
CC 139525/MG,Rel. Ministro OG FERNANDES, PRIMEIRA SEÇÃO,Julgado em 03/08/2015,Publicado em 21/08/2015
CC 137385/GO,Rel. Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, PRIMEIRA SEÇÃO, Julgado em 14/04/2015,Publicado em 23/04/2015
CC 131792/MG,Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, Julgado em 21/11/2014,Publicado em 02/12/2014
CC 136831/MG,Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, Julgado em 24/11/2014,Publicado em 27/11/2014
Veja também os periódicos (atualizados até a data de publicação):
Informativo de Jurisprudência n. 0517, publicado em 02 de maio de 2013.





16) A presunção legal de esforço comum quanto aos bens adquiridos onerosamente prevista no art. 5º da Lei 9.278/1996, não se aplica à partilha do patrimônio formado pelos conviventes antes da vigência da referida legislação.

            Comentário: este entendimento visa afastar o elemento surpresa de relações anteriores à lei. Todavia, há que se verificar o princípio do enriquecimento sem causa quando apenas um dos conviventes se beneficia, bem como a dificuldade de produção probatória para que o desequilíbrio não conduzisse a uma decisão injusta. Esta discussão praticamente não ocorre mais em Varas no primeiro grau em virtude do tempo decorrido.

Acórdãos

REsp 959213/PR,Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, Rel. p/ Acórdão Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI,QUARTA TURMA,Julgado em 06/06/2013,DJE 10/09/2013
AgRg no REsp 1167829/SC,Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA TURMA,Julgado em 18/02/2014,DJE 06/03/2014
Veja também os periódicos (atualizados até a data de publicação):
Informativo de Jurisprudência n. 0556, publicado em 04 de março de 2015.

Os entendimentos foram extraídos de precedentes publicados até 04/12/2015

sábado, 12 de março de 2016

Valores de FGTS durante casamento devem ser partilhados em caso de divórcio

Durante casamento com comunhão parcial de bens, os valores recebidos pelo cônjuge trabalhador e destinados ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) integram o patrimônio comum do casal e, dessa forma, devem ser partilhados em caso de divórcio. O entendimento foi estabelecido pelos ministros da Segunda Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) em julgamento de ação que discutia partilha de imóvel por ocasião do término do matrimônio.
De acordo com o processo submetido à análise do STJ, o patrimônio havia sido adquirido pelos ex-cônjuges após a doação de valores do pai da ex-esposa e com a utilização do saldo do FGTS de ambos os conviventes. Uma das partes pedia a divisão igualitária dos recursos do fundo utilizados para a compra, apesar de o saldo de participação para aquisição ter sido diferente.
No julgamento de segunda instância, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS) decidiu afastar da partilha a doação realizada pelo genitor da ex-mulher, bem como os valores de FGTS utilizados para pagamento do imóvel.
Natureza personalíssima
Ao apresentar o seu voto à Segunda Seção, no dia 24 de fevereiro, a ministra relatora do recurso no STJ, Isabel Gallotti, entendeu que o saldo da conta vinculada de FGTS, quando não sacado, tem “natureza personalíssima”, em nome do trabalhador. Nesse caso, não seria cabível a divisão dos valores indisponíveis na conta ativa na hipótese de divórcio.
A ministra considerou, entretanto, que a parcela sacada por quaisquer dos cônjuges durante o casamento, investida em aplicação financeira ou na compra de bens, integra o patrimônio comum do casal, podendo ser dividida em caso de rompimento do matrimônio.
Na continuação do julgamento do recurso, no último dia 9, os ministros da Segunda Seção acompanharam o voto da ministra Gallotti em relação à exclusão da partilha da doação paterna e da divisão igualitária dos valores do FGTS utilizados para compra do imóvel, pois os recursos eram anteriores ao casamento.
Todavia, ao negar o recurso especial e manter a decisão do TJRS, os ministros optaram por aderir à fundamentação apresentada pelo ministro Luis Felipe Salomão em seu voto-vista.
Patrimônio comum
De acordo com o ministro Salomão, pertencem ao patrimônio individual do trabalhador os valores recebidos a título de fundo de garantia em momento anterior ou posterior ao casamento. Contudo, durante a vigência da relação conjugal, o ministro entendeu que os proventos recebidos pelos cônjuges, independentemente da ocorrência de saque, “compõem o patrimônio comum do casal, a ser partilhado na separação, tendo em vista a formação de sociedade de fato, configurada pelo esforço comum do casal, independentemente de ser financeira a contribuição de um dos consortes e do outro não”.
Hipótese autorizadora
O ministro Salomão lembrou que o titular de FGTS não tem a faculdade de utilizar livremente os valores depositados na conta ativa, estando o saque submetido às possibilidades previstas na Lei 8.036/1990 ou estabelecidas em situações excepcionais pelo Judiciário.
Tendo em vista o caráter exemplificativo dos casos de saque apontados pela Lei 8.306 e as possibilidades de extensão previstas na jurisprudência, o ministro Salomão se posicionou no sentido de inserir o divórcio como uma hipótese autorizadora do levantamento dos depósitos comunicáveis realizados no fundo.
Segundo o ministro Salomão, os valores a serem repartidos devem ser “destacados para conta específica, operação que será realizada pela Caixa Econômica Federal, Agente Operador do FGTS, centralizadora de todos os recolhimentos, mantenedora das contas vinculadas em nome dos trabalhadores, para que num momento futuro, quando da realização de qualquer das hipóteses legais de saque, seja possível a retirada do numerário e, consequentemente, providenciada sua meação”.

segunda-feira, 16 de março de 2015

Até a partilha, espólio tem legitimidade para integrar ação movida contra o falecido

Enquanto não há partilha, a herança responde por eventual obrigação deixada pelo falecido e é do espólio a legitimidade passiva para integrar a lide. Esse entendimento levou a Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) a negar recurso em que se pedia que fossem habilitados os sucessores numa ação a que o falecido respondia.
No caso, duas pessoas promoveram em desfavor de um terceiro (da mesma família) ação declaratória de nulidade de ato jurídico. Pediam que fosse declarada nula a venda feita por ele de imóvel de propriedade de ambas as partes. No curso da ação, o terceiro faleceu e os autores propuseram ação incidental de habilitação de sucessores, a fim de que estes fossem citados para a ação principal de modo a regularizar o polo passivo da demanda.
Entretanto, o juiz, e depois o Tribunal de Justiça do Mato Grosso, entenderam que a representação processual é do espólio, na pessoa do inventariante. Os autores da ação ingressaram com recurso especial no STJ. Sustentaram que os sucessores na ação deveriam ser os herdeiros do falecido e a viúva meeira, já que o imóvel, por ter sido vendido a terceiros, “não será arrolado no inventário”.
Em seu voto, o relator, ministro João Otávio de Noronha, explicou que o espólio, isto é, a universalidade dos bens deixados pelo falecido, assume a legitimidade para demandar e ser demandado em todas as ações em que aquele integraria o polo ativo ou passivo, se vivo fosse.

Preferência
O ministro Noronha esclareceu que apesar de o artigo 43 do Código de Processo Civil dispor que, com o falecimento da parte, abre-se a possibilidade de sucessão pelo espólio ou por seus sucessores, o STJ entende que “será dada preferência à substituição pelo espólio, ocorrendo a habilitação dos herdeiros em caso de inexistência de patrimônio sujeito à abertura de inventário”.
Encerrado o inventário, o espólio perde a legitimidade, cabendo essa condição aos herdeiros, aos quais deverá ser dada a oportunidade de habilitação no processo, assumindo-o no estado em que se encontra. O ministro alertou, contudo, que esse ato não deve ser antecipado.
“Caso a partilha se dê antes de a ação anulatória ter fim, o juiz deverá possibilitar a habilitação dos herdeiros para regularização da representação processual, em consonância com os princípios da celeridade e da economia processuais”, concluiu o relator.

fonte: STJ

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Fraude na partilha de bens


Autora: Lucia Deccache

No início da vida em comum, evita-se falar em patrimônio, seja para não melindrar o parceiro, seja para não parecer que o dinheiro está acima do amor, seja para que os familiares não interpretem de forma equivocada a intenção de organizar a vida patrimonial da família.
De fato, existe um tabu que precisamos vencer. Falar sobre o patrimônio e as formas de rescisão do casamento evitaria boa parte dos litígios de modo a harmonizar a continuidade da família ainda após o divórcio.
Quando surgem os litígios, o patrimônio deixa de ser uma questão secundária e contribui para acirrar ainda mais os conflitos familiares. Isto porque, em meio ao conflito, o casal se depara com a divisão de bens, que agora parece injusto ou desmerecido.
Aquela sociedade sem fim lucrativo, pautada pelo amor, passa a criar mecanismos para desequilibrar a partilha de bens de uniões tuteladas pelos regimes de comunhão universal ou parcial de bens.

FRAUDE POR PRODUTOS OFERTADOS POR INSTITUIÇÃO FINANCEIRA

Algumas instituições financeiras oferecem produtos de investimento para seus clientes sem o cuidado de estar contribuindo para o desequilíbrio na partilha de bens em eventual separação.
Há casos em que os bancos já são procurados para burlar a partilha de bens, e acabam sendo coadjuvantes na empreitada de prejudicar patrimonialmente o outro cônjuge ou companheiro, sem, muitas vezes, perceberem a má-fé do cliente.
Primeiramente, todos os produtos regidos por leis estrangeiras devem se compatibilizar com a lei interna nacional. Assim, produtos que permitem a organização do patrimônio da família de forma diferente do que a lei brasileira garante, ou seja, que possa causar algum tipo de renúncia à meação, não deve ter sua eficácia preservada quanto a esta cláusula. (Trusts bancários, por exemplo).
A constituição de Off Shores tem sido a escolha dos cônjuges que pretendem excluir bens do acervo comum, pela dificuldade de identificar o titular do dinheiro que se dilui em diversas empresas, onde figura o nome de um terceiro, prestador de serviço fiduciário contratado para administrar bens, logrando pela privacidade e sigilo.
Por motivo de controle fiscal, o Banco Central do Brasil passou a ter conhecimento de valores remetidos ao exterior, facilitando a vida de cônjuges prejudicados, apesar da medida muitas vezes não ser suficiente. O dinheiro enviado para fora do país, em regra, se perde em outras empresas, cuja sociedade é feita por agentes fiduciários ou laranjas.
Com relação aos PGBL e VGBL, também há muita discussão quanto à destinação dos recursos do casal para beneficiar um dos cônjuges, e, com o advento da separação, o cônjuge beneficiado, se recusa a partilhar ou compensar o valor vinculado a esse tipo de previdência privada, acarretando em desfalque do acervo comum.
De fato, após a ocorrência do sinistro do PGBL ou do VGBL, visando o completo de uma aposentadoria, não parece viável a partilha desses valores pela natureza alimentar. Mas sobre o valor investido sim, caso tenha sido retirado do patrimônio do casal.
Assim, antes de assinar qualquer documento melhor ouvir a opinião de um advogado especializado em direito de família.

FRAUDE POR MUDANÇA DE REGIME DE BENS

Atualmente, a lei permite a alteração do regime de bens na constância do casamento, por via judicial em pedido fundamentado por ambos os cônjuges de comum acordo, ressalvados os direitos do terceiro.
Tal permissão legal, apesar de consagrar a livre autonomia da vontade dos cônjuges, pode levar a mais uma forma de fraude entre marido e mulher, ou contra terceiros.
Tem sido comum, num momento de instabilidade conjugal, a esposa ser induzida à mudança do regime de bens, renunciando à metade dos bens adquiridos na constância do casamento, para, logo após, ver o esposo em braços alheios com todo o dinheiro que a ela pertencia.
Houve também caso de alteração de regime de bens de comunhão universal para parcial, para impedir que o marido participasse da herança a ser recebida pela esposa pelo falecimento de seu pai, por exigência dos irmãos dela, evitando o ingresso de persona non grata na empresa, pelo recebimento das quotas.
Outra hipótese surge para prejudicar filho advindo de relação adulterina, quando o casamento regia-se pelo regime de comunhão parcial de bens, e, com a descoberta do filho de outra relação, o casal muda o regime para separação total de bens, esvaziando a parte do cônjuge adúltero.
Apesar da existência de causas lícitas que autorizam a mudança de regime, a lei deve ser interpretada restritivamente por poder causar renúncia de direito. Assim, mesmo que o casal resolva alterar o regime de bens, a alteração deve contar a partir da decisão judicial que autorizou a mudança para frente, sem permitir a retroatividade, para não ferir o direito adquirido.
A questão da retroatividade atinge também os casais unidos por União Estável, que podem celebrar contrato de convivência no curso da vida a dois, estipulando livremente o regime de bens que pretendem tutelar o patrimônio comum.
Para prevenir contra abusos, quando o casal pretender a alteração do regime de bens (casamento ou união estável) o ideal é exigir a partilha de bens até aquele momento, para posterior alteração.

FRAUDE PELA VENDA DE IMÓVEL

Se o casal opta pelo regime de comunhão universal de bens, deve partilhar todos os bens, inclusive aqueles adquiridos antes do casamento. Só que muitas vezes o imóvel comprado durante o estado de solteiro, continua com a escritura inalterada sem averbação do casamento.
O risco existe de o cônjuge que não pretende dividir este bem, alienar o imóvel antes da separação, e o Registro de Imóveis não tem como saber do casamento. Não é difícil desvendar esta fraude, mas o negócio possivelmente não será desfeito, em garantia do comprador de boa-fé. Se tudo for provado, o cônjuge prejudicado acaba recebendo sua parte em dinheiro.
No regime de comunhão parcial de bens, o risco de postergar a partilha de bens para depois da separação leva a riscos de extravios, mesmo em se tratando de bens imóveis que depende de registro público, pois os cartórios não exigem a averbação da partilha de bens, mas tão somente a certidão de separados. Uma vez provada a separação, um dos cônjuges passa a vender todos os bens, sem que a partilha tenha sido realizada.
Na união estável o (a) companheiro (a) inocente é vítima corriqueira na venda de imóvel, por não se exigir na escritura pública o status de convivente, que em regra decorre de um fato (a convivência) e não de um ato jurídico (certidão). Detectada a venda durante a convivência, cabe ao traído o resgate do valor de sua parte via judicial, se declarada a união estável naquele período.
No regime de separação de bens, também há uma brecha que possibilita o extravio de bens pelo outro cônjuge. É o caso do regime obrigatório de separação de bens para os casos previstos na lei, como no caso de casamento com pessoa maior de setenta anos de idade.
No regime obrigatório entende-se que os bens adquiridos pelo esforço comum devem ser partilhados entre os cônjuges, evitando o enriquecimento ilícito (Súmula 377 STF). Ocorre que, quando o tabelião do cartório de Registro Imobiliário se depara com o regime de separação de bens na certidão de casamento, não exige a anuência da esposa, possibilitando a venda do bem comum sem o conhecimento do outro cônjuge.

FRAUDE POR MEIO DE “LARANJA”

O termo ‘laranja’ indica uma terceira pessoa (amigo, amante, parente, subalterno, ou seja um ‘testa de ferro’) conivente (ou não) com os atos fraudulentos, neste caso, para extraviar bens da partilha do casal.
Esses coadjuvantes, solidários na fraude por um dos cônjuges, figuram como titulares de contas-correntes e investimentos, como credores de uma falsa dívida do cônjuge fraudador, como sócios de empresas constituídas no exterior, contas em paraísos fiscais, emprestando seus nomes para as falcatruas do marido contra o direito da esposa em obter metade dos bens do casal.
Em regra, o terceiro-laranja é quem movimenta a conta bancária do cônjuge que continua a usufruir de conforto e luxo, apesar do esvaziamento dos bens. A intenção é também fraudar eventuais alimentos dos filhos ou da esposa sob a alegação de que não tem mais a possibilidade de sustento.
Houve caso de imóvel da família comprado com patrimônio do casal, figurando a mãe do esposo (a sogra) como proprietária, sob o convencimento da ingênua esposa de que estava com problemas fiscais. Após a separação, a sogra-laranja despejou toda a família do imóvel.

FRAUDE POR FALSAS RENÚNCIAS DE DIREITOS

É comum o marido negar ou postergar o recebimento de algum crédito para o momento após a separação do casal. Assim, há casos em que negocia com o devedor o valor da dívida para simular um perdão pela insolvência, e, após a separação, recebe o valor reduzido apenas para não dividir com a esposa.
O não recebimento de bônus da empresa em que trabalha, ou o não levantamento do FGTS, ou não recebimento de honorários, tudo naquele período que antecede a separação também são formas de fraudar a partilha de bens, em que o cônjuge empurra o momento do recebimento de créditos para o momento após a separação, em que acredita equivocadamente que não terá que repartir tais valores com a esposa.
O problema está apenas em descobrir a tramoia, caso em que a esposa poderá pleitear a sua metade judicialmente, mesmo que a partilha decorra de acordo, se provado o desconhecimento desses bens omitidos.

FRAUDE POR FALSAS DÍVIDAS

A criatividade do cônjuge mal intencionado chega ao ponto de criar dívidas, simular notas promissórias com laranjas, contratos falsos, meios usados para negociar a partilha de bens na hora da separação forçando um acordo leonino.
O cônjuge inocente, em regra orientado por advogado contratado pelo fraudador, acaba cedendo seus direitos por acreditar nas ameaças do tipo: “melhor aceitar esse acordo do que nada, pois estou cheio de dívidas que podem acabar com todos os nossos bens”.
Vale esclarecer que a dívida contraída por um cônjuge somente atinge o outro caso seja comprovado que o valor da dívida foi revertido em benefício da família, caso contrário, a dívida não comunica na partilha.
Parece estranho que duas pessoas unidas originalmente pelo amor, possam chegar este tipo de estelionato marital, é lamentável, mas acontece nas melhores famílias.
OBS: Para quem pretende se aprofundar neste assunto, indico o livro do Professor Rolf Madaleno, um dos meus apoios para diversas dicas do site, especialmente para esta – Curso de Direito do Família, Ed. Forense, 2008.

acontecenasmelhoresfamilias.com/seus-direitos/

 

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Bens adquiridos após separação de fato não integram a partilha

Os bens adquiridos após a separação de fato não devem ser divididos. A decisão foi unânime entre os ministros da Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em julgamento de recurso especial interposto por uma mulher que buscava incluir na partilha do divórcio bens adquiridos pelo ex-marido após a separação de fato.
Casados sob o regime de comunhão parcial de bens desde 1988, marido e esposa se separaram em 2000. Segundo a mulher, quatro meses depois ele adquiriu dois veículos e constituiu firma individual. Ela então moveu ação anulatória de ato jurídico, com pedido liminar de bloqueio de bens.

Os pedidos foram julgados procedentes em primeiro grau, mas o Tribunal de Justiça reformou a decisão. Segundo o acórdão, o cônjuge casado, qualquer que seja o regime de comunhão universal ou parcial , separado de fato, pode adquirir bens, com esforço próprio, e formar novo patrimônio, o qual não se integra à comunhão, e sobre o qual o outro cônjuge não tem direito à meação.

Jurisprudência

No recurso ao STJ, a mulher alegou que 120 dias não seriam suficientes para cortar a comunhão de bens. Para ela, somente o patrimônio adquirido após prolongada separação de fato seria incomunicável. Ela citou ainda precedente do STJ no qual esse entendimento foi aplicado.

O ministro Raul Araújo, relator, reconheceu o dissídio jurisprudencial, mas destacou que o entendimento consolidado no STJ é no sentido de que a separação de fato põe fim ao regime de bens.

O relator esclareceu que em casos de separações recentes, ainda que não mais vigendo a presunção legal de que o patrimônio resulta do esforço comum, é possível ao interessado demonstrar que os bens foram adquiridos com valores decorrentes desse esforço comum. No entanto, o ministro afirmou que não foi esse o caso dos autos.

Processo: REsp 678790

FONTE: STJ

do site JusBrasil

O FGTS e a previdência privada entram na partilha de bens do casal?

O Fundo de Garantia por Tempo de Serviço é uma reserva do trabalhador, na qual seu empregador deve depositar, sem qualquer desconto, a importância de 8% (oito por cento) da remuneração devida no mês anterior, o que inclui além de salário fixo, gorjetas, comissões, gratificações, diárias, abonos, entre outros.

Esta economia só fica disponível ao trabalhador em situações bem específicas como: demissão sem justa causa; aposentadoria; necessidade pessoal, urgente e grave, decorrente de desastre; quando o trabalhador ou seu dependente estiver acometido grave doença; ou, para aquisição de moradia própria.

Assim, o FGTS é considerado fruto do trabalho individual de cada cônjuge e, normalmente, não fará parte de uma futura divisão de bens, segue artigo esclarecedor:

Art. 1.659. Excluem-se da comunhão:(...) VI - os proventos do trabalho pessoal de cada cônjuge;
Porém, existem algumas exceções como no caso de um pacto antenupcial ou de o fundo de garantia ter sido sacado pelo cônjuge, pois, neste caso, passaria a integrar os bens comuns do casal, isto ocorre, por exemplo, com a aquisição de um imóvel. Então estes valores ou bens, fariam parte da patilha de proveitos, assim entende o Superior Tribunal de Justiça:

RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL E CIVIL. ACÓRDÃO ESTADUAL EM DESALINHO COM ENTENDIMENTO DESTA EG. CORTE. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL CONFIGURADA. DIVÓRCIO. PARTILHA DE IMÓVEL. FGTS RECOLHIDO DURANTE MATRIMÔNIO E UTILIZADO NO ABATIMENTO DE SALDO DEVEDOR DE FINANCIAMENTO IMOBILIÁRIO. COMUNICABILIDADE DESSES VALORES. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL DEMONSTRADA. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO." (REsp n. 1.266.527/RS, Quarta Turma, relator Ministro Raul Araújo, DJe de 29.4.2014.)
Importante lembrar que, assim como o FGTS, a previdência também não se reverte em proveito do casal, pois mantém a sua natureza personalíssima. Ato contínuo, caso se trate de previdência privada e que o seu saque tenha ocorrido, este valor fará parte da partilha dos bens, explicado acima.

do site JUSBRASIL

sábado, 5 de julho de 2014

É ilegal bloqueio de bens de sociedade anônima para pagar obrigação de sócio em sobrepartilha


A ação de sobrepartilha contra ex-cônjuge não pode atingir crédito pertencente à pessoa jurídica da qual ele é acionista. Por isso, Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) considerou incabível sentença que bloqueava crédito da companhia para garantir dívida particular de um dos seus acionistas.
A decisão mantém a impossibilidade de bloqueio de 11% do crédito de R$ 29 milhões que a empresa Goiás Refrigerantes S/A tem a receber da Coca-Cola S/A. A constrição havia sido determinada pelo juízo da vara de família onde tramitou a ação de sobrepartilha (nova partilha com a inclusão de bens sonegados pelo ex-marido). Acionista minoritário, ele tinha 2,63% do capital social da empresa.
De acordo com o voto do relator, ministro Luis Felipe Salomão, mesmo que o cônjuge tenha sonegado ações no momento da separação judicial do casal, a autora da ação de sobrepartilha não tem garantia sobre créditos da pessoa jurídica. Nenhum acionista tem direito de apossamento sobre créditos pertencentes à pessoa jurídica, a serem recebidos em ação ajuizada em face de terceiros.
Para o relator, também não há clareza na sentença que condenou o ex-marido a entregar a parte relativa às ações sonegadas. Não se sabe se a entrega é das próprias ações - e nesse caso a autora passaria a ostentar a condição de acionista - ou se foi determinada indenização em dinheiro, cujo valor seria equivalente ao que ela teria direito de receber.
A consequência natural seria apenas a possibilidade de o cônjuge prejudicado assumir a condição de acionista. Isto não garante, por si só, direito sobre créditos da pessoa jurídica em face de terceiros.
Sociedades anônimas
Salomão explicou que as sociedades anônimas têm como característica marcante a contribuição pecuniária de cada participante para a formação do capital social. A lei, segundo ele, dificulta o reembolso das ações ao acionista dissidente, incentivando a alienação das ações para que terceiros ingressem nos quadros da sociedade.
A sentença determinou à sociedade anônima o pagamento, com patrimônio próprio, dos valores a que faria jus o acionista em razão de ações de que é titular. Para o relator, trata-se de uma autorização de retirada ou recesso sem previsão legal.
Mandado de segurança
O bloqueio determinado na sentença foi afastado em julgamento de mandado de segurança. No recurso especial, a ex-mulher alegou que esse instrumento processual não poderia ter sido usado.
Salomão explicou que é antiga a jurisprudência do STJ acerca do descabimento de mandado de segurança contra decisão judicial quando cabível recurso com efeito suspensivo. Porém, ele afirmou que esse não é caso dos autos, pois, contra a decisão que determinou a reserva de valores em ação ajuizada pela ex-mulher, cabia a interposição de agravo de instrumento - por terceiro prejudicado -, recurso que não tem, ordinariamente, efeito suspensivo.
Além disso, o relator destacou que o entendimento adotado na origem está sedimentado na Súmula 202 do STJ, segundo a qual "a impetração de segurança por terceiro, contra ato judicial, não se condiciona a interposição de recurso".
REsp 1179342

Fonte: Superior Tribunal de Justiça